A virada já aconteceu. Em abril de 2026, metade dos carros vendidos no varejo da Uvel Chevrolet, em Jaraguá do Sul (SC), foi elétrica. O Chevrolet Spark fechou o mês como o 4º modelo mais vendido no Brasil — mais de 1.000 unidades emplacadas, superando concorrentes a combustão na mesma faixa de preço.

Esses dados saíram direto da ponta de vendas, no episódio mais recente do podcast Decisão Energética, da Solturi. A conversa reuniu Diego Zaninotto (diretor do Grupo UVEL), Gabriel Gurgel (especialista em carregamento veicular da Solturi) e Bruno Mesch (diretor Regional SUL da Solturi).

O que eles descreveram não é tendência. É mercado funcionando.


Por que o mercado acelerou agora?

Durante anos, o crescimento dos elétricos no Brasil dependia quase só de marcas chinesas. Muitos consumidores hesitavam — não por preconceito, mas por uma dúvida legítima: essa marca ainda vai existir aqui daqui a cinco anos?

A entrada da Chevrolet mudou o cálculo. Diego Zaninotto resume bem:

"O slogan do Spark no lançamento era: além de elétrico, é Chevrolet. O projeto é norte-americano, o carro é fabricado na China — e a garantia sou eu."

Esse "sou eu" é o diferencial. Não é só o produto. É a rede de suporte, o histórico de décadas com o consumidor brasileiro, o concessionário local que responde quando algo dá errado.

Hoje o Grupo UVEL oferece quatro elétricos da Chevrolet: Spark, Captiva, Equinox e Blazer. Faixas de preço distintas, públicos diferentes. E um dado estratégico relevante: o Sonic será o último modelo da marca a chegar ao Brasil sem nenhuma eletrificação. De agora em diante, até as picapes a diesel terão componente híbrido.


A conta que convence na hora

Um motorista terceirizado que trabalhava para a concessionária tinha um Onix com parcela de R$ 1.500 e gastava R$ 2.500 por mês em combustível. Total: R$ 4.000/mês.

Com energia solar já instalada em casa, ele fez a conta e trocou pelo Spark elétrico.

Item

Onix (antes)

Spark Elétrico (depois)

Parcela do veículo

R$ 1.500

R$ 3.000

Combustível / energia

R$ 2.500

~R$ 0

Total mensal

R$ 4.000

~R$ 3.000

Economia

—

R$ 500 a R$ 800/mês

A parcela dobrou. A conta caiu. Isso porque o combustível saiu do orçamento quase por completo — especialmente para quem já tem geração solar própria.

Bruno Mesch aponta o problema estrutural por trás disso:

"O combustível hoje custa R$ 6,50 e pode custar R$ 12. Você vai ter que pagar. A energia pode dobrar de preço e você também não pode fazer nada."

Segundo os dados do episódio, combustível e energia elétrica juntos consomem entre 20% e 30% da renda mensal da família brasileira média. Dois a três meses de trabalho por ano pagando esses dois insumos — sem nenhum controle sobre o preço de nenhum dos dois.

A combinação solar + elétrico quebra essa dependência. É o que a Solturi chama de economia além da conta.


O erro que compromete tudo — e acontece depois da compra

Aqui está o ponto que menos aparece nas conversas sobre elétricos, e que mais gera problema na prática.

O consumidor pesquisa, compara, faz test drive, fecha negócio. Decisão excelente. Aí contrata qualquer eletricista para instalar o carregador que veio com o carro — e é onde a experiência começa a desandar.

Instalar um carregador residencial exige:

  • Análise da rede elétrica existente na casa
  • Avaliação da capacidade do padrão de entrada de energia
  • Em muitos casos, adequação ou troca desse padrão — o que demanda projeto técnico e empresa habilitada
  • Mão de obra com conhecimento específico para esse tipo de instalação

Não é serviço para qualquer eletricista. Uma instalação mal feita pode gerar problemas elétricos, comprometer a segurança da residência e até invalidar garantias.

Bruno Mesch foi direto:

"Você fez tudo certinho, foi lá na Uvel, comprou seu carro. Contrata uma empresa especializada para instalar o seu carregador. É o básico."


O medo da bateria acabar: o que os dados dizem

A autonomia ainda é o principal argumento contra o elétrico. Gabriel Gurgel trouxe uma análise que muda a perspectiva.

Uma parada convencional no posto — deslocamento, fila, pagamento — raramente leva menos de 20 minutos. Com um carregador de 80 kW e um veículo com bateria de 70 kWh, esses mesmos 20 minutos entregam:

Parâmetro

Valor

Energia carregada em 20 min

~24 kWh

Autonomia adicional gerada

~100 km

Autonomia total do veículo

~300 km

No mesmo tempo de uma parada no posto, o carro ganha autonomia suficiente para a maioria dos deslocamentos do dia a dia.

O argumento mais legítimo continua sendo viagens longas entre estados. E a resposta honesta é: a infraestrutura de recarga nas rodovias ainda precisa crescer. Mas esse movimento já está em curso — e quem investe agora em estações de recarga está à frente.


Planejamento inteligente: instalar para o carro que vem, não só para o atual

Um detalhe técnico do episódio que vale registrar: um cliente buscava instalação para um veículo que aceita até 6,6 kW de recarga, mas pediu um carregador trifásico de 23 kW.

Motivo: ele sabia que trocaria de carro em breve e não queria refazer toda a instalação depois.

A lógica é a mesma dos inversores híbridos de energia solar — instalar preparado para o futuro, mesmo sem precisar hoje. É infraestrutura, não produto.


O que esperar no segundo semestre de 2026

Com base no que foi discutido no episódio:

  • Vendas crescendo, especialmente com novos modelos de marcas consolidadas em faixas mais acessíveis
  • Demanda por carregamento residencial chegando antes do esperado — a Solturi já agenda para dar conta do volume
  • Público rural em movimento: produtores que já têm solar no telhado estão vendo na eletrificação veicular uma continuidade natural
  • Sistemas com bateria ganhando relevância como solução para o impacto na rede em horários de pico
  • Permanência de marca como critério decisivo de compra — favorecendo quem tem histórico consolidado no país

Pronto para dar o próximo passo?

Se você já tem energia solar ou está avaliando um veículo elétrico, a instalação do carregador residencial é onde a decisão técnica começa — e onde a maioria dos erros acontece.

A Solturi atua na intersecção entre energia solar, carregamento veicular e sistemas de bateria. Fale com um especialista antes de instalar qualquer coisa.