A conta de luz da chácara chegou a R$ 1.335,28. Em mês normal, ficava entre R$ 700 e R$ 900. A primeira fatura depois da energia solar veio com R$ 30,35.

Esse é o resultado das Irmãs Chacreiras, produtoras de Sinop (MT) que mostram nas redes sociais (Instagram @irmaschacreiras) a rotina de uma chácara sustentável. Para chegar lá, a Solturi precisou instalar energia solar sem usar o telhado e sem tirar área de produção, com uma estrutura pouco comum no campo: o carport solar.

Por que a conta de luz pesava tanto na chácara

As irmãs cultivam verduras, criam frangos e vendem a produção nas feiras de Sinop. Ali, a energia não é conforto: é custo de produção. Ela move:

  • Irrigação e bombeamento de água, que mantêm a horta e os animais
  • Geladeira e freezer, que guardam a produção até a feira
  • Chocadeira, que não pode desligar

Cada real a mais na fatura sai da margem do que é vendido na feira.

O desafio: sem telhado adequado e sem área sobrando

O projeto previa 21 módulos de 610W, algo entre 55 e 60 m² de placas. O telhado da casa não tinha estrutura nem área para isso. Instalar no chão significaria perder área de plantar e criar.

A solução: carport solar elevado

Carport é uma estrutura elevada, apoiada em pilares, em que as placas fazem o papel de cobertura. Na cidade, aparece em estacionamentos e pontos de recarga de carros elétricos. Na chácara das irmãs, gera energia em cima e deixa uma área sombreada embaixo, usada como abrigo do sol para os animais e para manuseio e embalagem da produção.

A altura também foi pensada para a rotina do lugar. Numa estrutura baixa, as galinhas subiriam nas placas, sujando os módulos (o que reduz a geração) e arriscando danos ao equipamento e aos animais.

O carport ainda permite posicionar as placas no ângulo ideal e deixa o ar circular por baixo, o que ajuda a geração no calor de Mato Grosso. A contrapartida é o custo: exige fundação e projeto estrutural, então vale quando o espaço embaixo tem uso real.

O sistema instalado

Item

Especificação

Módulos

21 módulos WEG de 610W (12,81 kWp)

Inversor

WEG de 9 kW

Estrutura

Carport solar elevado

Uso da área embaixo

Sombra para animais, manuseio e embalagem

Geração estimada

1.500kWh/mês

Conta antes

R$ 700 a R$ 900 (pico de R$ 1.335,28)

Primeira fatura com o sistema

R$ 30,35

Integração

Solturi, maior integradora WEG do Brasil

 

De R$ 1.335 para R$ 30: como a economia chega na fatura

A energia gerada abastece primeiro o que está ligado na chácara. O que sobra vai para a rede e vira crédito, que abate o consumo da noite e dos meses de menor geração, conforme a Lei 14.300/2022.

A nossa conta já chegou a R$ 1.335. Normalmente vinha entre R$ 700 e R$ 900, porque aqui tem geladeira, freezer, chocadeira, irrigação, tudo ligado. Quando veio a primeira fatura com R$ 30, a gente nem acreditou. E ainda sobra energia, que hoje vai para a casa da nossa mãe.

— Irmãs Chacreiras, produtoras em Sinop (MT)

A conta não zera porque toda ligação paga um valor mínimo à distribuidora, além da iluminação pública.

Como o sistema gera mais do que a chácara consome, a sobra abate a conta da casa da mãe das irmãs. É o autoconsumo remoto, que exige os dois imóveis no mesmo titular e na mesma distribuidora. Resultado: custo previsível na chácara e mais conforto para a mãe.

No campo, a venda não pode começar pela conta de luz. Ela começa entendendo a rotina do produtor: o que precisa funcionar, onde dá para instalar, que área não pode ser perdida. É daí que sai o projeto certo. E muitos produtores já olham o próximo passo, que são as baterias, para guardar a energia que sobra e não ficar no escuro quando a rede cai.

— Leonardo de Toni, diretor da Solturi em Sinop, MT.

O que avaliar antes de instalar na sua propriedade

  • Consumo dos últimos 12 meses, porque safra, seca e irrigação mudam a conta ao longo do ano
  • Onde as placas vão ficar: telhado, solo ou carport, e o que se perde ou ganha em cada um
  • Rotina dos animais, que define altura da estrutura e proteção da fiação
  • Uso da sobra em outro imóvel, que depende de mesmo titular e mesma distribuidora

Sem telhado, a energia solar muda de lugar